Crescimento e Desenvolvimento
A origem de muitos medos infantis: a imaginação
Os crescidinhos ainda não sabem separar a fantasia da realidade. É por isso que nessa fase eles têm medo de muitas coisas irreais.
Imagine um lugar onde tudo o que você pensa se transforma em realidade. Parece divertido, não é mesmo? Mas considere que nesse mundo de fantasia as coisas assustadoras e chatas também podem tomar forma... Pois é exatamente assim que o seu crescidinho - e sua fervilhante imaginação - enxerga a vida! É por isso que ele costuma ter medo de fantasmas, bruxas, do escuro e de ser abandonado, entre outras coisas.
Mas os pais não devem se preocupar com isso. Sentir medo faz parte, acima de tudo, do processo de crescimento dos filhos. Para eles, tudo pode ser motivo de espanto e, com isso, a imaginação vai longe!
O medo também está associado a um outro aspecto da vida do crescidinho: é um sentimento que o ajuda a lidar com emoções que ele nem sabe de onde vêm. Este é o caso, por exemplo, de um irmãozinho que vai nascer.
A criança, por ficar com ciúme, não sabe o que fazer com aquela angústia que sente. Daí é muito mais fácil ela colocar essa emoção para fora e direcioná-la para uma coisa mais fácil de visualizar, como o medo do escuro, por exemplo. É por isso que esse estado emocional deve ser considerado saudável, pois sua função é ajudar a criança a encontrar recursos para superar situações difíceis.
Os crescidinhos de 4 e 5 anos também acabam tendo medo por algumas coisas que eles fazem e sentem, como traquinagens, mentirinhas e emoções negativas. É o caso, por exemplo, de uma criança que quer dormir mais tarde em um determinado dia e a mamãe não deixa; em um momento de raiva, ela deseja que a mãe suma...
Como vive em um mundo feito de fantasia, no qual os feitiços viram contra os feiticeiros, o crescidinho realmente acha que ela pode sumir! Isso pode fazer com que ele crie um medo enorme de ser abandonado e, por conseqüência, não queira ficar sozinho, ache que a mãe está brava com ele ou, ainda, expresse outros medos, como de ladrão, de estranhos, de inimigos invisíveis, etc.
Como os papais devem lidar com esses medos?
Os pais em primeiro lugar, e depois os irmãos e os familiares mais próximos, são a referência mais confiável que as crianças têm para conduzir a própria vida. Isso significa que a família é o modelo de relacionamento, linguagem, valores e até de medos. Por essa razão, a primeira dica é ter cuidado em não transmitir medos sem verificar se eles são, de fato, razoáveis - ou se merecem ser reavaliados; é o caso de dizer que os cachorros são bravos e que as baratas são perigosas, por exemplo.
Uma dica essencial é a de nunca rir dos temores dos crescidinhos. Eles podem ficar com a sensação de que os pais não os levam a sério e, portanto, acham que não podem contar com o apoio deles. Esse tipo de sensação empobrece o relacionamento e contribui para uma baixa auto-estima e insegurança.
Para ajudar seu filho, é possível agir de forma prática e divertida. Se a criança está com medo de uma sombra que enxerga quando vai dormir, convide-a a achar o objeto que forma aquele desenho! Você também pode oferecer alguns apoios para os momentos de medo, como luzinhas ou um bichinho de guarda perto da cama.
Um conselho importante: não se deve ameaçar os crescidinhos com seus medos, como dizer "se você não obedecer vai ficar de castigo no escuro", ou fazer brincadeiras do tipo "o homem do saco vai lhe pegar se você não comer".
Lembre-se: nesta fase, a criança ainda é ingênua em sua capacidade de discernimento e crítica e, assim, ela realmente achará que isso pode acontecer, o que só vai ajudar a despertar mais temores.
Na hora de educar e propor limites, o melhor caminho é ser claro e falar a verdade, como "você tem de comer para crescer e ficar saudável". Além de provocar medo, as ameaças desmoralizam os pais. Afinal, quando as crianças crescerem mais, descobrirão logo que eram mentiras. Isso, com o tempo, abala a confiança no relacionamento.
Medos mais reais
Nesta idade, também, os crescidinhos podem demonstrar medo de coisas reais, que eles não sabem como funcionam direito. Assim, a criança pode ter medo de um barulho no carro, de o carro bater, de um ladrão pular a janela, etc.
Os papais ajudarão muito se explicarem o máximo de coisas da vida cotidiana. Ou seja, eles devem mostrar às crianças que a porta está bem trancada; que nenhum ladrão consegue passar pela grade da janela; que o papai ou a mamãe é responsável por frear ou acelerar o carro. Esse tipo de informação fará a criança entender o comando das coisas.
Situar o crescidinho no mundo real é uma maneira muito eficaz no combate aos monstros criados pela imaginação, pois com um bom repertório sobre aquilo que existe ao seu redor seu filho saberá gerenciar as situações com criatividade e defender-se dos perigos ou próprios temores.
Converse muito com os seus filhos. Eles adoram falar, e ouvi-los é uma excelente oportunidade de saber o que sentem, como pensam, o que lhes causa felicidade, raiva e insegurança, além de ser uma ótima ferramenta para identificar a causa de certos temores.
Para finalizar, uma última e importante dica, sem a qual nenhuma das anteriores será realmente eficaz: seja sempre paciente, tolerante e amoroso com seu filho. Quando o crescidinho sabe que existe alguém em quem confiar, fica muito mais fácil superar esses medos tão comuns da infância.
Consultoria: Lídia Maria Chacon de Freitas, psicóloga e educadora infantil.